Sem União Europeia, exportação de carnes do Brasil busca novos mercados estratégicos

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Setor produtivo reorienta embarques após novas exigências ambientais e foca em expansão na Ásia e no Oriente Médio.

O setor de agronegócios do Brasil está intensificando a estratégia de diversificação de seus destinos de exportação após o endurecimento das normas de importação da União Europeia. Com as novas diretrizes ambientais do bloco europeu, que impõem restrições rigorosas a produtos oriundos de áreas de desmatamento, os exportadores brasileiros de carne bovina, suína e de aves estão acelerando a abertura e a ampliação de mercados em regiões com demandas crescentes e exigências distintas.

A mudança de foco ocorre em um momento em que a Ásia, liderada pela China, e os países do Oriente Médio se consolidam como os principais compradores da proteína brasileira. Para manter o ritmo de crescimento nas exportações, o governo federal e entidades como a ApexBrasil e a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) têm reforçado missões comerciais para países como Indonésia, Tailândia e Vietnã. A meta é garantir que o volume que deixará de ser absorvido pela Europa seja redirecionado sem prejuízos à balança comercial.

Analistas do setor apontam que, embora a União Europeia represente um mercado de alto valor agregado, a dependência do bloco vem diminuindo gradualmente. A adaptação dos frigoríficos brasileiros aos protocolos de sustentabilidade continua sendo uma prioridade para não perder competitividade global, mas a prioridade imediata é a consolidação em mercados que valorizam a escala e a segurança alimentar proporcionada pelo Brasil.

Além do redirecionamento geográfico, o setor investe em certificações específicas, como o abate Halal, para atender com exclusividade ao mercado islâmico, que apresenta um potencial de consumo bilionário. O desafio para 2026 será equilibrar os custos logísticos desse novo mapa de exportações com a necessidade de manter preços competitivos em um cenário de custos de produção ainda pressionados pela inflação global de insumos.

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