Proposta de pagamento à vista foi o fator decisivo para quitação de dívidas trabalhistas de centenas de ex-funcionários.
A novela jurídica sobre o futuro da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá deu um passo decisivo nesta semana. A Comissão de Credores da instituição aceitou formalmente a proposta de R$ 30 milhões apresentada pelo Governo de Mato Grosso para a aquisição definitiva do complexo hospitalar. O acordo, que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT), visa encerrar um imbróglio que se arrasta desde 2019, quando o Estado assumiu a gestão da unidade via requisição administrativa.
O grande diferencial que garantiu o aceite foi a modalidade de pagamento à vista. Embora tenham surgido outras propostas numericamente superiores — como uma oferta de R$ 40 milhões de um instituto paulista —, os valores eram parcelados em prazos que não atendiam à urgência dos cerca de 800 ex-trabalhadores. Para quem aguarda o recebimento de verbas rescisórias e salários atrasados há anos, a liquidez imediata da oferta estatal foi considerada a solução mais justa e viável.
Plano de Expansão e Modernização
Com a consolidação da compra, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) já traçou um cronograma de investimentos para a unidade. O objetivo é transformar a Santa Casa em um polo de alta complexidade. Entre os serviços planejados para o ciclo 2026/2027 estão:
- Hospital Dia: Focado em cirurgias de curta permanência para reduzir filas;
- Unidade de Cuidados Paliativos: Atendimento humanizado para pacientes crônicos;
- Centro de Diagnóstico Avançado: Equipamentos de última geração para exames de imagem;
- Serviço de Verificação de Óbito (SVO): Estruturação definitiva do setor.
Preservação do Patrimônio e da Saúde Pública
Localizada na histórica Praça do Seminário, a Santa Casa possui uma área total de 22 mil metros quadrados. A aquisição definitiva pelo Estado não apenas assegura a continuidade dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como também garante a manutenção de um patrimônio arquitetônico e histórico da capital mato-grossense. O secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, destacou que a prioridade agora é a homologação final do acordo pela Justiça do Trabalho para que os pagamentos aos trabalhadores sejam liberados o mais breve possível.

