Crime ocorrido na madrugada desta segunda-feira interrompe marca de quase dois anos sem feminicídios na capital capixaba.
A cidade de Vitória foi abalada na madrugada desta segunda-feira (23 de março) pelo assassinato da comandante da Guarda Municipal, Dayse Barbosa Mattos. O autor do crime foi o seu namorado, o policial rodoviário federal (PRF) Diego Oliveira de Souza, que invadiu a residência da vítima no bairro Caratoíra. Segundo as investigações preliminares, o agente não aceitava o término do relacionamento e utilizou táticas de invasão, pulando uma marquise, para surpreender Dayse enquanto ela dormia. Após disparar cinco vezes contra a comandante, Diego tirou a própria vida no local.
Dayse Barbosa, que foi a primeira mulher a chefiar a corporação em Vitória, era reconhecida pelo seu empenho no combate à violência contra a mulher e pela promoção de políticas de segurança pública. O crime encerrou um período simbólico de 653 dias sem registo de feminicídios na capital do Espírito Santo. O Secretário de Segurança de Vitória, Amarilio Boni, informou que a instituição não tinha conhecimento de ameaças anteriores, embora familiares tenham relatado, após o crime, que o relacionamento apresentava traços de violência.
Impacto na Segurança Pública e Luto Oficial
A morte da comandante gerou uma onda de consternação entre as forças de segurança e autoridades políticas. O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, lamentou profundamente a perda, destacando o altruísmo e a dedicação de Dayse à proteção da sociedade. Poucas horas antes de ser morta, a comandante havia partilhado vídeos nas suas redes sociais que exaltavam a força feminina e a luta histórica das mulheres pela conquista de direitos e independência.
O caso está sob investigação do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A Polícia Rodoviária Federal emitiu uma nota de pesar e informou que está a colaborar integralmente com as autoridades estaduais para o esclarecimento dos factos. O velório da comandante deve atrair centenas de guardas municipais e agentes de diversas forças, num momento que reforça a urgência de debates sobre a saúde mental e o comportamento agressivo dentro das instituições policiais, especialmente em contextos domésticos.

