Inconsistências fatais: Câmeras corporais expõem reações de tenente-coronel após morte de esposa

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Vídeos exclusivos revelam tentativa de controle da cena e pressões sobre subordinados por parte de Geraldo Neto.

Novas imagens das câmeras corporais de policiais militares, divulgadas pelo programa Fantástico neste domingo (22 de março), trouxeram detalhes cruciais sobre o comportamento do tenente-coronel Geraldo Neto logo após o assassinato de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana. As gravações registram o momento em que o oficial, agora réu por feminicídio e fraude processual, tenta exercer sua autoridade hierárquica para manipular o ambiente e a narrativa dos fatos, confrontando diretamente subordinados que tentavam preservar a cena do crime.

Nas imagens, Geraldo Neto aparece visivelmente preocupado em limpar vestígios, insistindo repetidamente para tomar banho sob a justificativa de estar passando mal. “Vou tomar banho, irmão”, diz ele a um cabo, ignorando os protocolos de perícia que exigem a preservação de resíduos de pólvora nas mãos (exame residuográfico). O áudio captura o incômodo da tropa de menor patente, que se vê dividida entre o cumprimento do dever técnico e a intimidação imposta pela patente superior do suspeito.

Perícia contesta versão de suicídio

A análise técnica confronta a alegação inicial do tenente-coronel de que Gisele teria tirado a própria vida enquanto ele estava no banho. De acordo com a perícia, houve um “lapso temporal” inexplicado entre o disparo e o acionamento do socorro, tempo que teria sido utilizado para posicionar a arma e forjar elementos no apartamento localizado no Brás, em São Paulo. Os laudos indicam que a trajetória do tiro e a posição do corpo são incompatíveis com um gesto de suicídio, mas condizentes com uma execução.

Além do crime de feminicídio, o caso ganhou novos desdobramentos com denúncias de assédio sexual contra Geraldo Neto, feitas por outras policiais mulheres da corporação. Elas relatam um histórico de perseguições e retaliações após rejeitarem as investidas do oficial. As gravações das body cams tornaram-se provas centrais não apenas para o homicídio, mas para demonstrar o abuso de poder e a tentativa de obstrução da justiça. O tenente-coronel permanece preso preventivamente enquanto aguarda o julgamento, em um caso que reacende o debate sobre o controle interno nas forças de segurança.

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