Operação mira esquema interestadual de venda de armas produzidas em impressoras 3D

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Polícia Civil e Ministério Público do Rio combatem a disseminação de “armas fantasma” em 11 estados; grupo era liderado por engenheiro mascarado.


A Polícia Civil do Rio de Janeiro, o Ministério Público (MPRJ) e o Ministério da Justiça deflagraram, nesta quinta-feira (12 de março), a Operação Shadowgun. A ação visa desarticular uma organização criminosa especializada na produção e venda de armas de fogo e acessórios fabricados através de impressoras 3D. Até ao momento, quatro pessoas foram presas, incluindo o suposto líder do grupo, um engenheiro de automação detido em Rio das Pedras (SP).

O esquema operava em 11 estados brasileiros e focava-se no que as autoridades chamam de “armas fantasma” — armamentos que, por serem produzidos artesanalmente e sem registo, não possuem qualquer rastreabilidade. Além das armas semiautomáticas, o grupo comercializava carregadores e acessórios, utilizando redes sociais, fóruns e a dark web para disseminar manuais técnicos detalhados e um “manifesto ideológico” a favor do porte irrestrito de armas.

Engenharia e Tecnologia ao Serviço do Crime

De acordo com as investigações da 32ª DP (Taquara) e do CyberGaeco, o chefe da quadrilha publicava vídeos mascarado, realizando testes balísticos e dando orientações sobre a calibração dos equipamentos. O manual elaborado pelo engenheiro continha mais de 100 páginas, permitindo que pessoas com conhecimentos básicos de impressão 3D montassem armamento letal em casa, utilizando equipamentos de baixo custo. O grupo também utilizava criptomoedas para financiar as suas atividades e dificultar a vigilância financeira.

A polícia identificou pelo menos 79 compradores espalhados pelo Brasil, muitos dos quais com antecedentes criminais graves e ligações ao tráfico de drogas e milícias. No Rio de Janeiro, foram mapeados compradores na capital (Barra da Tijuca e Recreio) e em cidades do interior. Os detidos responderão por crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo, numa operação que conta com o apoio da Abin e de forças policiais de diversos estados.

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