Tecnologia da Empaer chega ao campo e renova a esperança de produtores em Cotriguaçu

Agro Cidades Geral

Integração entre café clonal e apicultura transforma pequenas propriedades em modelos de rentabilidade e sustentabilidade no Noroeste de MT.

A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT) está transformando a realidade da agricultura familiar em Cotriguaçu através da disseminação de tecnologias de manejo e diversificação de culturas. Durante a passagem da “Rota do Café” pelo município, pesquisadores visitaram propriedades que são exemplos de como a inovação técnica pode maximizar os lucros em pequenas áreas. Um dos destaques é a propriedade “Cia do Mel”, do produtor Roneilton Oliveira, que em apenas dois hectares destinados à produção, conseguiu criar uma “mina de ouro” ao integrar o cultivo de café clonal com a apicultura.

A estratégia tecnológica foca no equilíbrio biológico: enquanto as abelhas realizam a polinização das flores do café — o que aumenta a produtividade e a qualidade dos grãos —, a florada do cafezal serve como fonte de alimento para as abelhas, elevando a produção de mel para marcas entre 600 kg e uma tonelada por ano. “A gente descobre os objetivos da vida assim. A florada do café ajuda muito, porque as abelhas fazem a polinização, que é o melhor benefício delas”, explicou o produtor, que já colhe os frutos de seis safras de café clonal, com expectativa de atingir até 80 sacas por hectare.

O apoio governamental tem sido o pilar dessa transformação. Ao longo dos últimos sete anos, o Governo de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e Empaer, investiu cerca de R$ 9,7 milhões na região. Esses recursos foram revertidos em máquinas, implementos agrícolas e, especificamente para Cotriguaçu, a entrega de tratores que auxiliam na manutenção das lavouras. A presença constante de extensionistas garante que estudos de longo prazo — como a avaliação de 50 diferentes clones de café — cheguem de forma prática ao homem do campo, permitindo que o produtor escolha a variedade mais resistente e produtiva para o solo local.

Para os produtores da região Noroeste, o avanço tecnológico vem acompanhado de melhorias na infraestrutura logística. “Foram mais de 40 anos de espera, mas hoje temos estrada e isso muda tudo”, relembrou Oliveira. Com a facilidade de escoamento, a meta agora é o fortalecimento de associações para agregar valor ao café e ao mel produzidos em Cotriguaçu, garantindo que o selo de excelência da agricultura familiar mato-grossense alcance novos mercados. A integração entre pesquisa científica e execução no campo prova que, com tecnologia, a pequena propriedade é capaz de gerar renda digna e fixar a família rural na terra com qualidade de vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *