A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), deflagrou nesta quarta-feira (4 de março) a “Operação Véu”. A ação visa desarticular um esquema sofisticado de extorsão sexual — crime conhecido como “sextorsão” — praticado por uma estudante de Direito residente em Tangará da Serra.
As investigações apontam que a suspeita, agindo com frieza, montava dossiês minuciosamente editados em formato PDF. Este material continha fotos íntimas das vítimas, dados pessoais, perfis em redes sociais e informações sobre locais de trabalho. A partir desse conteúdo, a investigada submetia os alvos a intensa pressão psicológica, exigindo valores financeiros como condição para evitar a exposição pública do material.
O Funcionamento do Esquema
O perfil das vítimas era variado, abrangendo homens e mulheres, com destaque para casais liberais abordados em sites de relacionamento. Conforme o delegado responsável, Antenor Pimentel, a gravidade dos fatos ultrapassou as ameaças: “Em algumas situações, diante da recusa do pagamento, o conteúdo foi efetivamente divulgado, ampliando o dano psicológico e o temor de repercussões familiares, sociais e profissionais”.
A operação também identificou um segundo envolvido, um homem residente em Alta Floresta que se apresentava como “hacker” e “designer gráfico”. Segundo as investigações, ele era o responsável pela produção, diagramação e obtenção das informações pessoais que viabilizavam os crimes.
Cumprimento das Ordens Judiciais
Os mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e quebra de sigilo foram expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. Durante o cumprimento das ordens, a polícia encontrou em posse da investigada evidências cruciais, incluindo prints de conversas, registros das abordagens e provas do envio de conteúdo sensível a terceiros.
O nome da operação, “Véu”, é uma alusão ao símbolo de resguardo e proteção da intimidade e da vida privada das vítimas, direitos que foram gravemente violados pelo grupo criminoso.
Recomendações de Segurança: O delegado Antenor Pimentel reforça o alerta à população sobre os perigos do ambiente virtual:
- Cautela na exposição: Evite compartilhar fotos íntimas ou excesso de informações pessoais em aplicativos de mensagens e sites de relacionamento.
- Segurança digital: O ambiente online pode ser explorado por pessoas mal-intencionadas. A prudência no compartilhamento de dados sensíveis é a principal ferramenta de defesa contra este tipo de crime.

