Esquema utilizava falsas exportações de grãos para evitar o pagamento de impostos
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (25 de março), a segunda fase da “Operação Fake Export”. A ação resultou na intimação de 30 pessoas, entre produtores rurais e administradores de empresas, suspeitos de participar num esquema estruturado de sonegação fiscal através de simulações de vendas para o exterior.
O foco desta nova etapa são empresários e agricultores que mantiveram relações comerciais com os alvos da primeira fase, ocorrida em dezembro de 2025. Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas fictícias, documentos falsificados e “laranjas” para dar uma aparência de legalidade a operações de exportação que nunca existiram. Ao declarar que a mercadoria (grãos) seria exportada, os envolvidos utilizavam indevidamente o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) de exportação, o que permite a isenção de certos impostos estaduais.
No entanto, as cargas nunca saíam do país. A investigação detetou que uma das empresas envolvidas movimentou R$ 86,8 milhões num curto período de 2023, sendo que quase metade desse valor (R$ 42,9 milhões) foi declarada como exportação sem qualquer prova de embarque ou registo alfandegário. Na prática, os grãos permaneciam e eram comercializados em território nacional, gerando um prejuízo milionário aos cofres públicos e criando uma concorrência desleal no setor agrícola de Mato Grosso.

