Operação investiga esquemas bancários envolvendo o grupo que negociava a compra do Banco Master; PF cumpre mandados em São Paulo.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25 de março), uma operação em São Paulo que mira o topo da pirâmide do Grupo Fictor. O atual CEO e um ex-sócio da holding, que ganhou notoriedade recentemente ao anunciar negociações para a aquisição do Banco Master, de Daniel Vorcaro, são os principais alvos de mandados de busca e apreensão. A investigação apura um esquema complexo de fraudes bancárias, gestão temerária e movimentações financeiras atípicas que teriam sido utilizadas para inflar o patrimônio do grupo e facilitar operações de crédito de grande escala no mercado nacional.
A ofensiva da PF ocorre após um alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou transferências milionárias sem lastro econômico aparente entre empresas do grupo e contas pessoais dos executivos. De acordo com os investigadores, a Fictor — que atua em setores variados, como agronegócio, energia e gastronomia — teria utilizado contratos fictícios de fornecimento para obter empréstimos bancários sob condições privilegiadas, ocultando a real situação de liquidez da holding. A tentativa de compra do Banco Master, agora suspensa diante do imbróglio judicial, é vista pela polícia como um possível movimento para consolidar o controle sobre uma instituição financeira própria e facilitar o trânsito de recursos internos.
Desdobramentos no Mercado Financeiro
A notícia da operação causou forte impacto nos setores onde a Fictor possui investimentos, especialmente no agronegócio e no mercado de capitais. O Grupo Fictor vinha se apresentando como um dos novos “gigantes” do investimento privado no Brasil, com uma estratégia de expansão agressiva. No entanto, a PF suspeita que parte desse crescimento tenha sido estruturado sobre um sistema de pirâmide financeira sofisticado, onde novos aportes de investidores eram usados para cobrir rombos de operações deficitárias anteriores.
Os computadores e documentos apreendidos na sede da empresa, na capital paulista, passarão por perícia técnica para identificar a extensão dos danos causados a instituições financeiras e possíveis investidores privados. Os executivos alvos da operação podem responder por crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa do Grupo Fictor informou, em nota preliminar, que está colaborando com as autoridades e que todas as operações da holding são pautadas pela legalidade, aguardando o acesso integral aos autos para uma manifestação detalhada.

